ConceiToscos

09/09/2007 19:02

“Quantos Somos? Seis! Quantos Somos?”

Naquele dia foram mais irresponsáveis. Não se preocuparam com pontos “extras” somados às suas notas (baixas). O que queriam mesmo era a diversão. A diversão que só uma roda de amigos – ou iniciantes – pode trazer.
Lih foi a primeira a terminar. Não podia ser tão diferente. Afinal, essa era a marca que ela mais se orgulhara de mostrar.
Depois (não se sabe bem a ordem) saem Rafaelly e Riccardo. Ambos tão despreocupados quanto Lih – ela contagiou a todos.
Logo após, de outra sala, sai Caio. Encontra Lih e começam a conversar.
Bem longe do imaginável, sai Geisiane – ela não fez seu simulado; marcou qualquer coisa em quase todas as matérias. Só depois pôde ver que havia respondido Biologia e não passara para o gabarito. Lascou-se! – muito feliz por ter tido um simulado “não respondido” em suas mãos e que não lhe preocupara, não pelo menos até o momento.
Encontram-se todos na portaria da escola, conversando assuntos variados, mas que sempre giravam em torno de determinada comunidade. Lih conversava com Caio. Rafaelly com Riccardo e Geisiane no meio dos quatro, calada, mas mesmo assim, bem, sentindo-se capaz de intervir na conversa de quem quisesse, e sem ser punida por isso.
No andar dos fatos, chega Priscila. Troca algumas palavras, deixa umas apostilas nas pernas de Geisy – sim, a Geisiane – e vai de encontro a sua amiga Daniella.
Depois de muito conversar, Rafaelly resolve dar o grito:
– A gente vai comer não! Eu to com fooome! Vâmo Lih! Vâmo Riccardo! Vâââmo Geisy!
Ah! Isso depois de Rafaelly ter saído correndo atrás de Riccardo, que queria dar fim em determinado conto...
E Lih responde:
– Eitaaaa! É meeesmo! Vai já Rafaelly! Rapi10!
Rafaelly resolve continuar o papo com Riccardo:
– Tu vai com a gente, né?
E Riccardo com ar de desdenho, diz:
– Rum! Você pagando, minha filha, eu topo tudo!
Rafaelly demonstra tremenda insatisfação:
– Êeeeita Riccardo! Tu ta pensando que eu tenho dinheiro, é? Meu querido, o que eu tenho aqui é só três reais e um vale! E se o senhor não sabe, eu tenho de voltar pra casa. Hunf!
Rafaelly resolve guardar o tal conto que Riccardo tanto queria dar fim, pois essa seria uma ótima oportunidade. Quando ela vai pô-lo em sua bolsa, resolve tirar alguns pertences. O celular de Riccardo estava lá. Rafaelly balbuciava alguma como “ainda dou um fim nesse celular. Será que ele nunca vai aprender a guardá-lo no bolso dele?”
Nisso, Rafaelly não percebeu, mas faltava algo em sua bolsa.
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Iam juntos – Lih, Caio, Geisy, Priscila, Rafaelly e Riccardo – à procura de um lugar barato para lancharem. A verdade é que estavam todos com fome e numa liseira só. Depois de uma “vaquinha”, arrecadaram algum dinheiro.
A caminho do Carvalho, pra ser mais preciso, bem à frente, Lih disse que não iriam comer lá de forma alguma, fato até hoje incompreendido por quem escreve.
Priscila dá a magnífica idéia: lanchariam na Modelo.
Rafaelly concordou instantaneamente. Lih, que tinha como única restrição a lanchonete do supermercado, aceitou sem nenhum problema. Rafaelly adicionou a informação de que sairia até mais barato, pois a diferença do preço do salgado era de 33,33% mais em conta.
Em contradição às meninas, veio Riccardo, com seu argumento de que a bomba da Modelo NÃO tinha queijo. Pena que só foi ouvido por Geisy, que não tinha interesse algum em bombas. E se Caio ouviu, não deu sinais disso.
E em contradição a ela mesma, que não ouviu a parte do comunicado que iriam lanchar na Modelo (e não na Paladar), Geisy fez sinal a Lih para entrarem na Paladar, já que se encontravam em frente ao estabelecimento.
Assim, dirigem-se à Modelo. Quando lá se encontram, a decepção: não havia salgado algum – só alguns hambúrgueres sem graça, que não interessou a nenhum do grupo. De lá, desolados, lisos e com fome, saem em direção ao “meio da Frei Serafim” (Lih ainda co parte considerável de seu corpo na avenida, o que causou uma pequena discussão entre Lih e Priscila, que tentava “salvar” a vida da colega de um possível bêbado, que possivelmente apareceria dirigindo algum carro ou uma moto e, possivelmente, a atropelaria) para pensar num lugar para matarem a sua fome. Pensaram em ir num supermercado próximo, mas sabiam que lá teriam de lavar pratos a noite inteira. Desistiram da idéia. [A narradora agora tenta lembrar quem teve essa idéia sublime, para poder dar um fosco no indivíduo.] Decidiram ir à Canadá Lanches, mas mudaram de idéia também. Riccardo lembrou que havia outra Paladar próxima. Julgaram que o preço seria o mesmo – somente se esqueceram de perguntar antes qual era.
Geisy nunca achou que o caminha era tão longo. Não foi somente ela. Lih, Riccardo, Caio, Rafaelly e Priscila acharam o mesmo. O que houve em conjunto – além da fome, é claro – foi o cansaço. E todos pareciam estar desanimados, prontos a desistir, caso não conseguissem, por algum motivo, não lanchar nesta “nova” Modelo da Coelho de Rezende.
Quando lá chegaram, foram perguntar o preço do salgado. Era um preço em que, com o dinheiro que possuíam, um teria de ser... sacrificado.
O telefone de Priscila toca. Ela fala com uma expressão apreensiva. Desliga-o. Nervosa, balbucia algo e sai. Vai embora, desgovernada, deixando dúvidas e pontos de interrogação nas cabeças de Geisy, Rafaelly e... Não. Somente nelas. Lih deixava no ar uma sensação de alívio. Parecia que o que acontecera fora maquinado por ela há muito, Rafaelly e Geisy estranharam e expressão que reinava na cara larga de Lih.
– Pode ir, Priscila! Oww! Que pena... Er... “Há males que vem para o bem!”.
O sacrifício feito, todos lancharam... Faltava uma pessoa. O ambiente não estava completamente tosco. Como se Elton estivesse intrigado por não terem lhe convidado para participar da epopéia, parece que baixa sobre o corpo de Lih e derrama o primeiro copo (detalhe: estava cheio) de coca-cola. Logo após, sobre Rafaelly, fazendo com que ela não sentisse ressentimento algum do que falaria:
– Ô Lih! Como é que tu faz isso, porra? Nem! Caaaaara! Tô te falando sério! Tô com uma vontade louca de te dar um murro!
Depois do ambiente batizado com a coca derramada – Lih quase chora por ela –, como que num castigo, Lih percebe – isso depois de ter comido metade da bomba – que na bomba não há queijo.
– Marrapá! Que porra é essa? Cadê a merda do queijo dessa bomba?
Geisy, que comia uma empada que lhe queimava a boca, diz:
– Oras! Tu num sabia não?
Riccardo:
– Eu disse!
Geisy:
– O Invisível disse quando a gente ainda tava na Paladar.
Lih:
– Não! Pelamoirdedeus! Vou comer isso não! Nem! Cadê o queijo, ó? Aff!
Caio percebe que está escurecendo:
– Ei! Que horas são? Já são 18?
Geisy informa que faltam 5 minutos pra às 18h.
Caio solta um “eita porra”, enquanto Geisy diz a Riccardo para não pôr mais refrigerante para Lih, para compensar o que ela havia derramado. [Sim! Era o Elton!]
Ao que parece, Lih também deveria encontrar-se com seu namorado às 18 horas... se estivesse em casa.
Há algo errado no rosto de Rafaelly. Ela retira tudo que há na bolsa e grita:
– EU NÃO ACREDIT! ESQUECI MEU CELULAR NO COLÉGIO! EITA PORRA! (...) A MAMÃE JÁ DEVE TER ME LIGADO PRA CARAMBA!
E Riccardo ri do acontecido – Elton parece estar presente nele agora.
Riccardo paga a conta. Restaram apenas alguns centavos trocados. Caio com um conhecido seu que trabalhava na padaria. Lih observava os vinhos expostos com uma louca vontade de roubar todos... Rafaelly desesperava-se com a idéia de ter de voltar à escola para pegar seu celular. [Como ela pode ter esquecido?] E Geisy? Bem, Geisy observava tudo. Ficara intrigada com algo que se repetiu. Não queria que houvesse uma terceira repetição.
Foi inevitável. Geisy recebe uma mensagem. Seu pai dizia que era para ela estar pronta às 18 horas, que ele iria lhe pegar em sua casa para irem ao aniversário de duas tias suas.
Estava completo o que ela temia! Elton deixava claro que fatos como esse não poderiam mais acontecer sem sua tosca presença tosca. O número se repetiu três vezes. Caio devia estar em casa ás 6 da noite; Lih encontraria seu namorado ás 6 da noite e Geisy deveria estar em casa às 6 da noite. 6. 6. 6.
“Quantos somos? Seis! Quantos somos? Seis! Seis cavaleiros...”
Elton gritava em sua casa, morto de felicidade, sua música predileta do Babau do Pandeiro. E finalmente pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Bêbado em sua casa ouvindo Babau e infernizando a vida de seus sobrinhos.
Agora Elton era uma um Homem Realizado! Provara que a tosquice estava presente em toda parte, assim como ele...
enviada por GeisyDias






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